1900

Para além das questões de natureza geoestratégica, a que a política de alianças procurava dar resposta, nos primeiros anos do século XX estavam em curso na Europa, no Próximo Oriente e no Norte de África, diversas disputas envolvendo potências europeias. 

1900.docx (508315)

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

O FIM DA “ALIANÇA” ANGLO-GERMÂNICA

Em 1714, ao falecer a rainha Ana de Inglaterra, sem descendente directo, a coroa britânica foi herdada por Georg Ludwig von Hannover, príncipe do Hanôver, o qual tomou o nome de Jorge I. Os seus direitos ao trono decorriam da circunstância de ser, por parte de sua mãe, bisneto de Jaime I (Stuart). Por conseguinte, a partir dessa data e até à subida ao trono da rainha Vitória, o soberano britânico foi, simultaneamente, príncipe do Hanôver.

Para ler o artigo, clicar em

Fim aliança anglo-germânica.pdf (804369)

"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""

1917 - A REVOLUÇÃO RUSSA E OS REFLEXOS NA GUERRA       

No início de 1917, antes mesmo do começo da ofensiva de Primavera – que os delegados russos haviam prometido, em Dezembro de 1916, quando da conferência interaliada de Chantilly –, estalou em Petrogrado um movimento revoltoso apoiado pelo Exército.

Para ler o artigo, clicar em

Revolução Russa.pdf (348382)

********************************************************************

HITLER E OS PRIMÓRDIOS DO NAZISMO COMENTADOS POR CHURCHILL

Na obra The Second World War, publicada em 1948, na qual Winston Churchill historiou todo o período que vai do final da 1.ª Guerra Mundial até ao final da 2.ª Guerra Mundial, o autor dedicou uma passagem imensamente significativa e ACTUAL aos primeiros passos da atribulada vida política de Adolf Hitler.

Para ler o artigo, clicar em

Churchill x nazi.pdf (283866)

******************************************************************

DE GAULLE – UM OLHAR DA FRANÇA SOBRE A ALEMANHA

            Quando, em 8 de Julho de 1962, o Presidente das França, general Charles de Gaulle, e o Chanceler alemão, Konrad Adenauer, se encontraram na catedral de Reims, para oficializar a reconciliação entre dois países ancestralmente inimigos, nascia um novo eixo da política europeia, responsável por grande parte da estabilidade continental das três décadas seguintes.

Para ler o artigo, clicar em

França_Alemanha.pdf (8756838)

*********************************************************************

O APOIO DA ITÁLIA À REBELIÃO

DO GENERAL FRANCO

Ciro Paoletti

            O “pronunciamento militar” organizado pelos generais, em 17 de Julho de 1936, tinha sido um sucesso nos territórios ultramarinos, mas só parcialmente nos metropolitanos, onde grande parte do Exército, a quase totalidade da Marinha e toda a Aeronáutica se haviam mantido fiéis ao legítimo governo da República.  Significava isto que, se não se encontrasse um modo de transportar para o continente europeu as tropas sublevadas, as zonas de Espanha caídas nas mãos dos rebeldes seriam, a breve trecho, retomadas pelos de Madrid.

Apoio Itália Gen FRANCO.pdf (486399)

********************************************************************

1640 - LOS PORTUGUESES SE ALZAN !

No 1.º de Dezembro de 1640, naquilo que Oliveira Martins classificou como «uma conspiração palaciana, com a protecção dos Jesuítas e da França», um grupo de nobres e letrados toma de assalto o Paço da Ribeira e, rapidamente, neutraliza a duquesa de Mântua, representante de Filipe IV em Portugal.

Para ler o artigo, clicar em

Portugueses 1640.pdf (126595)

vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv

A OFERTA DE PAZ ALEMÃ DE DEZEMBRO DE 1916

A 5 de Dezembro de 1916, o chanceler alemão Bethmann-Hollweg, apresentou-se perante o Reichstag para anunciar a intenção do seu governo de emitir uma proposta de paz dirigida aos países Aliados. Embora tenha sido tornada pública em vários órgãos da imprensa internacional nos dias subsequentes, só chegaria às mãos das potências Aliadas em 18 de Dezembro, através do embaixador dos EUA. 

Para ler o artigo, clicar em

Oferta de paz alemã 1916.pdf (1049098)

********************************************************************

O AUSPICIOSO VERÃO DE 1914

A Europa entrou o Verão de 1914 numa agradável atmosfera de distensão internacional. Num consolidado cenário de Belle Époque, todos se preparavam para gozar as delícias de umas férias retemperadoras. 

Para ler o artigo, clicar em

Verão de 1914.pdf (537689)

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

O CONLUIO ANGLO-GERMÂNICO SOBRE AS COLÓNIAS PORTUGUESAS (1898-1914)

Em 1898, o conde Hatzfel e o Sr. Balfour assinaram um acordo secreto que dividia as colónias portuguesas em esferas de influência económica entre nós e a Inglaterra. Como o governo de Portugal não possuía nem o poder nem os meios para as desenvolver ou administrar adequadamente, tinha admitido, algum tempo antes, vendê-las para pôr as finanças numa base sólida. Foi obtido um acordo, entre nós e a Inglaterra, definindo os interesses de ambas as partes. Este acordo era de grande valor, tendo em conta que Portugal, como era opinião geral, estava inteiramente dependente da Inglaterra. (Príncipe Lichnowsky)

Para ler o artigo, clicar em

Conluio anglo-germânico.pdf (387066)

********************************************************************

A GUERRA NOS BALCÃS

de Carlos Branco

A obra que tenho a honra de vos apresentar transporta-nos para o cenário de desagregação da antiga Jugoslávia e da arrepiante violência que a acompanhou. 

Para ler o texto da apresentação do livro, clicar em

GUERRA NOS BALCÃS.pdf (73775)

vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv

O ACORDO GERMANO-RUSSO DE BJÖRKÖ 

Em Julho de 1905, um arrebatamento antibritânico de Guilherme II quase ia reconduzindo as relações germano-russas a um novo compromisso diplomático. Nesse ano, o kaiser visitou Portugal, a caminho de Tânger.

Para ler o artigo, clicar em

Acordo de Björkö 1905.pdf (530847)

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

A DINASTIA FILIPINA – ENTRE A UNIÃO E A UNIFICAÇÃO

A relativa autonomia política que Filipe II jurara em Tomar vai ser progressivamente pervertida pelos seus sucessores.
 
Para ler o artigo, clicar em
 
Entre a União e a Unificação.pdf (98367)
 
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

DE GAULLE E O VETO DA FRANÇA À ENTRADA DA GRÃ-BRETANHA NA CEE

 

            Em 14 de Janeiro de 1963, por ocasião de uma conferência de imprensa do presidente francês, um dos jornalistas presentes colocou ao general de Gaulle a seguinte questão:

            Pode definir, explicitamente, a posição da França face à entrada da Inglaterra no Mercado Comum e à evolução política da Europa?

Para ler o artigo, clicar em

De Gaulle UK CEE.pdf (42997)

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

MAQUIAVEL, GARIBALDI E A RELIGIÃO

Para ler o artigo, clicar em

Maquiavel, Garibaldi e a Religião.pdf (269350)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

D. AFONSO V E A CRISE SUCESSÓRIA CASTELHANA DE 1474

A política de aliança com a Inglaterra – fortalecida com o casamento de D. João I com Filipa de Lencastre – não teria continuação ao nível do estreitamento dos laços familiares. Regressar à velha ligação com Aragão – o reino situado “nas costas” de Castela –, como fizera temporariamente D. Dinis, foi a política seguida no domínio das alianças por via matrimonial.

Para ler o artigo. clicar em

Crise castelhana 1474.pdf (136591)

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&

A PENÍNSULA IBÉRICA E A SEPARAÇÃO DE PORTUGAL

Como unidade geográfica bem definida, a Península Ibérica constitui, porventura, no contexto europeu continental, o espaço territorial que, nos seus 580.934 km2, mais se aproxima do conceito de ilha – ou mesmo uma «espécie de continente menor», como lhe chamou Pierre Vilar.

Para ler o artigo, clicar em

Península Ibérica_Separação Portugal.pdf (107847)

*******************************************************************

MAOMÉ, FÁTIMA E A COVA DA IRIA

Para ler o artigo, clicar em:

Maomé Fátima Cova da Iria.pdf (77648)

vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv

Os funerais de D. Sebastião

Desde que, em 24 de Agosto de 1578, após a chegada da armada que transportara a expedição portuguesa a Marrocos, foi anunciada pela corte a morte do rei D. Sebastião, na infausta batalha de Alcácer Quibir, não pararam de circular boatos que desmentiam o teor da versão oficial.

Para ler o artigo clique em

Os funerais de D Sebastião.pdf (143202)

***************************************************************

Carta de Maquiavel a Francesco Vettori

(10-12-1513)

No final de 1513 – e ainda na condição de proscrito, decorrente do regresso dos Medici ao poder –, Maquiavel escreve a que é hoje considerada uma das cartas mais célebres da literatura epistolar italiana, endereçada ao embaixador florentino junto da Santa Sé, Francesco Vettori, de quem era amigo e compadre. Nesse texto, o grande pensador florentino revela com extrema candura o seu dia-a-dia de exilado, descrevendo um comportamento que, em propositado contraste, oscila entre o de um rude camponês toscano e o do intelectual que não se resigna a deixar de sonhar, ainda que o faça acordado e consciente de uma precária condição a que deseja ardentemente pôr cobro. Essa carta é, também, o primeiro documento a revelar a adiantada preparação de O Príncipe.

Para ler o artigo clique em

Maquiavel carta a Francesco Vettori.pdf (68257)

*****************************************************************

Operação Michael – da embriaguez do sucesso ao embriagamento com álcool

Na Frente Ocidental, e no plano das decisões estratégicas, o ano de 1918 perspectivava algumas novidades marcantes: do lado dos Aliados, avultava a crescente presença das unidades da Força Expedicionária Americana (FEA); do lado alemão, todas as esperanças se centravam no reforço das cerca de 50 divisões retiradas da Frente Oriental, após a assinatura do tratado de Brest-Litovsk.

Para ler o artigo clique em

Operação Michael.pdf (68916)

************************************************************

D. JOÃO IV E A TENTATIVA DE

REUNIFICAÇÃO IBÉRICA

Após o golpe de 1 de Dezembro de 1640, D. João IV vai sentir as angústias decorrentes do desalinhamento internacional de Portugal. De facto, o reino já não pertence ao bloco da coroa espanhola, mas ainda não se inseriu no bloco antagónico. Talvez por isso, se entenda a surpreendente tentativa para negociar o casamento do príncipe herdeiro português, D. Teodósio, com a princesa Maria Teresa de Áustria, filha única e herdeira de Filipe IV.

Para ler mais, clique em

João IV reunificação ibérica.pdf (91,7 kB)

_______________________________________________________________

MADE IN GERMANY

A unificação da Alemanha, no seguimento da vitória sobre a França, em 1870, teve, no imediato, um reflexo de grande impacto no seu crescimento populacional, transformando este numa corrida onde os germânicos iam em clara fuga. Com apenas mais 10 milhões de habitantes em 1872, a vantagem subiria para 20 milhões em 1913.

Para ler mais, clique em

MADE IN GERMANY.pdf (144615)

********************************************************************

A ALIANÇA PENINSULAR COMO PRÓLOGO DA UNIÃO IBÉRICA

O apaziguamento com Castela, a partir de 1411, criou as condições geopolíticas que possibilitaram as conquistas no Norte de África, os Descobrimentos, o Império do Oriente e o início da colonização do Brasil, mas levou a um relacionamento familiar entre as duas Cortes peninsulares que veio a redundar na União Ibérica.

3.ª Parte

Para ler mais clique em

A Aliança Peninsular como prólogo da UI 3ª Parte.pdf (174328)

 

2.ª Parte

Para ler mais clique em

A Aliança Peninsular como prólogo da UI 2ª Parte.pdf (155655)

1.ª Parte

Para ler mais clique em

A Aliança Peninsular como prólogo da UI 1ª Parte.pdf (124,4 kB)

««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

GUERRA DO PELOPONESO (431-404 a.C.)

INTRODUÇÃO À OBRA DE TUCÍDIDES
 

A Guerra do Peloponeso, tendo decorrido num tempo distante de nós mais de 24 séculos, permanece na recordação da humanidade muito ligada à figura de Tucídides, que sobre ela nos legou uma descrição memorável. Estudioso que era da história da civilização helénica, Tucídides afirma, no início da obra, ter tido a presciência de que a guerra que se iria travar era de uma grandeza nunca vista, sendo, por tal motivo, digna de ser registada, de forma rigorosa, para conhecimento dos vindouros.

Para ler o artigo, clique em

Guerra do Peloponeso.pdf (131,2 kB)

""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""

Há 200 anos, o fim de Napoleão em Waterloo

http://observador.pt/especiais/ha-200-anos-o-fim-de-napoleao-em-waterloo/

##########################################################

A CRISE DA RESTAURAÇÃO PORTUGUESA NO CONTEXTO DA GUERRA DOS TRINTA ANOS

 

Introdução

Ao iniciarmos a abordagem do assunto em título, englobado no 2.º Tema do XVI Colóquio de História Militar – Portugal e os conflitos militares internacionais –, não podemos prescindir de uma breve análise ao posicionamento político de Portugal no espaço europeu, nos quase cem anos que antecederam a união com Castela. Nessa análise, falarei de Alianças, instrumento sempre presente na construção da paz e na sustentação dos conflitos armados. Faço-o por uma questão de metodologia, de modo a possibilitar o desenvolvimento da ideia-base que aqui procurarei expor, isto é:

1º. Saber se, a partir de 1640 e num contexto de guerra europeia, essa política era, de algum modo, “restaurável”;
2º. Não o sendo, que condicionantes geopolíticas e geoestratégicas pesavam na inevitável busca de uma alternativa.

O raciocínio assim esboçado assenta, naturalmente, na definição anterior de um DESTINO NACIONAL – a expansão marítima – obrigando, por conseguinte, a que as modalidades de acção da política externa sejam, todas elas, opções credíveis à efectivação desse fim.

Para ler o artigo completo clique em

Crise Restauração 2004.doc (70144)

»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

Os Alemães e a política

Nalguma coisa teríamos de ter defeito!

 

            Na Alemanha pós-Bismarck, a consciência da sua força – económica, científica, cultural, demográfica e militar – lançara em muitos espíritos a ideia de que o estatuto internacional de que usufruíam lhes era profundamente injusto. Os Alemães, pela primeira vez na história contemporânea, sentiam que tinham o direito a desempenhar um papel liderante na Europa e no Mundo. Max Weber, numa célebre conferência proferida em 1895, defendia com entusiasmo esta posição:

«Devíamos considerar a unificação da Alemanha uma loucura juvenil – que a nação cometeu nos seus dias de decadência e que seria melhor evitar devido aos seus custos –, caso se tratasse da conclusão e não do ponto de partida para uma política de poder mundial [Weltmachtpolitik]».[1]

Esta sensação de insuficiente importância no contexto europeu e mundial parece fazer parte do destino germânico e emerge, periodicamente, a cada momento de ressurreição política, englobando tudo o que Jonatham Steinberg definiu como o desejo de Geltung [respeito], de Anerkennung [reconhecimento] e de Gleichberechtigung [igual autoridade][2].

 Mais perto de nós, poderemos vislumbrar esse sentimento de insatisfação, associado à prosperidade e ao desejo de liderar, em duas ocasiões: na constituição e consolidação do III Reich, e, consumada a reunificação de 1990, na tendência, cada vez mais evidente, de liderança da União Europeia e na reivindicação de um lugar de membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O príncipe Bülow dissertou sobre este tema de forma assaz curiosa e com o seu quê de premonitório, pondo a nota numa espécie de inépcia política inata da raça alemã, em contraste com um conjunto de muitas outras invulgares qualidades:

«O destino, que, como todos sabem, é um mentor importante, mas caro, bem poderia tratar de nos educar sob o ponto de vista político, isto é, em nome do prejuízo que não cessarão de nos causar, de novo, as debilidades políticas inerentes ao carácter do nosso povo. As debilidades, políticas ou não, raramente se curam pela teoria, são necessárias a prática e as experiências da vida. Esperemos que não sejam demasiado penalizadoras essas provas que permitirão juntar o talento político aos numerosos e brilhantes dons que recebemos. Apesar de um passado rico em desgraças políticas, ainda não possuímos esse talento. Um dia, estava a conversar sobre este tema com um dos directores do ministério[3],o falecido Althoff: “Ah! O que é que queria?” respondeu-me este homem de grande valor, com o humor que lhe era próprio. “Nós, os Alemães, somos o povo mais instruído da terra e, ao mesmo tempo, o mais apto para a guerra. Temos feito maravilhas em todas as ciências, em todas as artes; os maiores filósofos, os mais renomados escritores e os mais célebres músicos são todos alemães. Neste momento, estamos em primeiro lugar no campo das Ciências Naturais e em todos os domínios técnicos, e, no patamar superior do mercado, alcançámos um dinamismo económico prodigioso. Como é que se pode admirar que, em matéria política, sejamos uns burros? Nalguma coisa teríamos de ter defeito!”»[4]

            Se este trecho, combinado com o que sabemos da história do século XX, nos poderá causar um justificado estremecimento, atentemos, também, neste precioso aditamento que Bülow proporciona ao leitor do século XXI:

            «O senso político é o senso das generalidades. É isso, justamente, que os Alemães não têm. Os povos bem dotados do ponto de vista político, agindo tanto com profundo conhecimento de causa como por instinto, no momento adequado e sem a pressão de uma situação crítica particular, colocam os interesses gerais da nação à frente das tendências e dos interesses particulares. Ora, está no temperamento alemão exercer a sua energia sobretudo no particular, de colocar o interesse geral depois do interesse mais restrito, mais directamente palpável, mesmo de o subordinar a ele. É a isso que se refere Goethe na sua frase cruel, frequentemente citada, quando diz que o alemão é capaz nos pormenores e mesquinho no conjunto.»[5]

In DAVID MARTELO, Origens da Grande Guerra - Rumo às trincheiras - Percurso político-militar (1871-1914)



[1] KAGAN, Donald, Sobre as origens da guerra e a preservação da paz, p. 156.

[2] Ibidem, p. 157.

[3] Bülow, antes de ser chanceler, fora ministro dos Negócios Estrangeiros.

[4] BÜLOW, Bernhard, La politique allemande, pp. 133-134.

[5] Ibidem, pp. 134-135.

""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""

 

CITAÇÕES

Vivi, até agora, dez anos do novo século; visitei a Índia, parte da América e comecei a pensar na Europa com uma nova e melhor informada sensação de prazer. Nunca amei tanto o nosso velho mundo como nesses últimos anos que antecederam a 1.ª Guerra Mundial; nunca desejei tanto uma Europa unida; nunca acreditei tanto no seu futuro como nessa época, quando pensámos que tínhamos no horizonte uma nova alvorada. Mas o seu colorido avermelhado era, na realidade, o clarão das chamas da conflagração mundial que se avizinhava.

STEFAN ZWEIG, O mundo de ontem.

Contactos

A BIGORNA
Granja - V. N. Gaia

© 2015 Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por Webnode