CRÓNICA DOS ANOS PERDIDOS

Winston Churchill

A História deve julgar como altamente censurável não apenas a conduta seguida durante todos estes anos fatais por um governo britânico nacional de maioria conservadora, mas também a atitude que tomaram o partido Trabalhista-Socialista e o partido Liberal, dentro como fora do governo.

Para ler o artigo, clicar em

Anos Perdidos.pdf (521617)

=============================================================

A PROPÓSITO DE UM LIVRO DE DAVID MARTELO - A ESPADA AINDA TEM DOIS GUMES?

Aniceto Afonso
 
O David Martelo lançou em 1999 o seu terceiro livro a que chamou “A Espada de Dois Gumes”. Teve a gentileza de me convidar para fazer a sua apresentação. Publico agora o texto que me serviu de base para essa apresentação, tanto em Lisboa, como no Porto.
 
Para ler artigo, seguir para o "Fio da História" em
 
»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»«««««««««««««««««««««««««««««««

TUCÍDIDES EM PORTUGAL

Raul Miguel Rosado Fernandes

 

Para ler o artigo, clicar em

Tucídides em Portugal.pdf (103647)

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

De como os cidadãos que tenham desempenhado os mais elevados cargos não devem, depois, desdenhar o desempenho de cargos menores

Nicolau Maquiavel

Para ler o artigo, clicar em;

Desempenho_cargos_menores.pdf (136433)

ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

De como, muitas vezes, o povo, enganado por uma falsa ideia de bem, acaba por contribuir para a sua própria ruína; e de como as grandes esperanças e as atraentes promessas facilmente o entusiasmam

Nicolau Maquiavel

... quando o destino faz com que o povo não tenha fé em ninguém, como por vezes acontece, por ter sido enganado no passado – pelas circunstâncias ou pelos homens –, é inevitável a ruína. 

Para ler o artigo, clicar em

Falsa ideia de bem.pdf (170978)

####################################################

De como são tanto de louvar os fundadores duma república ou dum reino como os duma tirania são de condenar

Nicolau Maquiavel

            Dentre todos os homens louváveis, são de maior merecimento aqueles que foram líderes e fundadores das religiões. Logo depois, vêm aqueles que fundaram repúblicas ou reinos. A seguir a estes, alcançaram a celebridade aqueles que, à frente dos exércitos, dilataram o seu reino ou a pátria.

Para ler o artigo, clicar em:

República X Tirania.pdf (165055)

************************************************************

FABRIZIO COLONNA E A MILÍCIA VIRTUOSA

Nicolau Maquiavel

Em 1516, Nicolau Maquiavel começou a frequentar as reuniões académicas dos jardins do palácio Rucellai (Orti Oricellari), autêntico cenáculo literário da Florença daquela época. Foi nos jardins de Cosimo Rucellai que, entre o final de Agosto e os primeiros dias de Setembro de 1516, com o condottiero Fabrizio Colonna como palestrante, decorreu a reunião cuja memória virá a ser publicada sob o título A Arte da Guerra.

Para ler o artigo, clicar em

MILÍCIA VIRTUOSA.pdf (148623)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

TOCQUEVILLE E O EXÉRCITO (1)

POR QUE É QUE OS PAÍSES DEMOCRÁTICOS DESEJAM NATURALMENTE A PAZ, E OS EXÉRCITOS DEMOCRÁTICOS NATURALMENTE A GUERRA

Alexis de Tocqueville

Em Da Democracia na América, publicada entre 1835 e 1840, Alexis de Tocqueville analisa o sistema político americano dos anos 30 do século XIX, lançando um olhar arguto para o seu exército. 

Para ler o artigo, clicar em

Tocqueville e Exércitos 1.pdf (78189)

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

TOCQUEVILLE E O EXÉRCITO (2)

DE QUAL É, NOS EXÉRCITOS DEMOCRÁTICOS, A CLASSE MAIS GUERREIRA E A MAIS REVOLUCIONÁRIA 

Alexis de Tocqueville

Para ler o artigo, clicar em

Tocqueville e Exércitos 2.pdf (65561)

=================================================

TOCQUEVILLE E O EXÉRCITO (3)

O que torna os exércitos democráticos mais fracos do que os outros exércitos ao entrar em campanha e mais temíveis quando a guerra se prolonga

Alexis de Tocqueville
Um povo aristocrático que, lutando contra uma nação democrática, não conseguir derrotá-la nas primeiras campanhas, arrisca-se sempre a ser por ela vencido.
 
Para ler o artigo, clicar em:
 
 
*********************************************************************

De como, pela autoridade dos Romanos e pelo exemplo da antiga milícia, se deve dar maior valor à infantaria do que à cavalaria

NICOLAU MAQUIAVEL

            É possível, por muitas razões e através de variadíssimos exemplos, demonstrar claramente como os Romanos, em todas as suas acções militares, estimavam mais a milícia a pé do que a milícia a cavalo, e como, sobre a primeira, assentavam todos os planos das suas forças.

Para ler o artigo, clicar em

Infantaria ou Cavalaria.pdf (179940)

######################################################

PÉRICLES E A PERSPECTIVA DE GUERRA COM ESPARTA

Tucídides

Nesta passagem da História da Guerra do Peloponeso, Péricles desenvolve o que poderíamos designar por um "Estudo de Situação Estratégico", abrangendo todas as implicações de um possível conflito com os Peloponésios liderados por Esparta.

Para ler o artigo, clicar em

Péricles perspectiva guerra com Esparta.pdf (157684)

********************************************************************

OS MEDOS DA CLASSE MÉDIA BAIXA E A ASCENSÃO DA EXTREMA-DIREITA

Stefan Zweig


Trata-se de uma passagem da obra O Mundo de Ontem, na qual o autor aborda as circunstâncias em que a classe média baixa austríaca se deixa seduzir pelos movimentos populistas e nacionalistas de extrema-direita. É um relato de uma Europa de há mais de 100 anos, mas que não se consegue ler sem pensar no presente.

Para ler o artigo, clicar em

O medo de ontem Zweig.pdf (300487)

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

1961 – IMPRESSÕES SOBRE A SITUAÇÃO EM GOA

Carlos Alexandre de Morais

Desembarcado em Goa em Março de 1961, o autor, então capitão do Exército, recorda as impressões colhidas antes da invasão levada a cabo pela União Indiana, em Dezembro do mesmo ano.
 
Para ler o artigo, clicar em
 
 
========================================================

AS MURALHAS DE ATENAS – O “ESCUDO ANTIMÍSSIL” DA ANTIGUIDADE

Tucídides

Tucídides, na sua História da Guerra do Peloponeso, conta-nos as condições em que os Atenienses decidiram, em 479 aC, reconstruir as muralhas de Atenas destruídas durante a guerra com os Medas. Sendo uma medida defensiva, foi entendida por Esparta e outros Estados helénicos como uma vantagem demasiado elevada - algo de comparável a um "escudo antimíssil" do nosso tempo. Os sublinhados são da nossa responsabilidade.

Para ler o artigo, clicar em

Muralhas de Atenas.pdf (235722)

********************************************************************

Das vicissitudes que levaram à criação em Roma dos Tribunos da Plebe, o que tornou a república mais perfeita

Nicolau Maquiavel
 
Para ler o artigo, clicar em
 
 
vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv

O estado da Grécia, desde os mais remotos tempos até ao início da Guerra do Peloponeso

Tucídides

Tucídides, um Ateniense, escreveu a história da guerra, entre os Peloponésios e os Atenienses, iniciando o seu trabalho logo que se começaram a guerrear, convicto de que seria uma guerra memorável, mais merecedora de relato do que todas as outras anteriormente travadas.

Para ler o artigo, clicar em

Grécia até início Guerra Peloponeso.pdf (988380)

sssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

HISTÓRIA DA GALIZA

Manuel Recuero Astray e Baudilio Barreiro Mallón

1. A independência de Portugal    2. As peregrinações a Santiago de Compostela

Para ler o artigo, clicar em

História da Galiza.pdf (101818)

====================================================

DAS GUERRAS DE OPINIÃO

Antoine-Henri Jomini

Embora as guerras de opinião, as lutas nacionais e as guerras civis facilmente se confundam como sendo um mesmo tipo de conflito, o certo é que diferem umas das outras o bastante para justificar que nos ocupemos delas separadamente.

Para ler o artigo, clicar em

DAS GUERRAS DE OPINIÃO.pdf (92122)

*******************************************************************

AGOSTO DE 1914

       Charles de Gaulle     

Chegou a hora! As ordens são cumpridas sem hesitação. E o soldado, escorado pelo rigor fecundo da disciplina militar, marcha, com o passo firme, rumo ao seu destino.

            O primeiro choque é uma imensa surpresa.

Para ler o artigo, clicar em

AGOSTO DE 1914.pdf (63390)

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

De como é perigoso, para uma república ou para um príncipe,

não vingar uma violação do direito público ou privado

Nicolau Maquiavel

Para ler o artigo, clicar em

De como é perigoso.pdf (108099)

*******************************************************************

De como nos tempos difíceis se procura a virtude; e de como nos tempos fáceis não são os homens virtuosos, mas sim os mais ricos e bem aparentados, que são mais populares

Nicolau Maquiavel

Para ler o artigo, clicar em

De como nos tempos difíceis se procura a virtude.pdf (149014)

^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

De como uma república ou um príncipe devem mostrar que fazem por liberalidade aquilo a que a necessidade os constringe

Nicolau Maquiavel
 
Para ler o artigo, clicar em
 

Soldos.pdf (142123)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

DIÁLOGO MELIANO

Tucídides
 

Diálogo Meliano é uma passagem da História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides, respeitante ao 16.º ano da guerra (416 a.C.) e constitui um dos episódios da obra mais conhecidos e estudados, sobretudo nos cursos de Ciência Política. Configura um dos exemplos mais crus do confronto entre o Liberalismo e o Realismo, no âmbito das Relações Internacionais. A peça ficou conhecida porDiálogo, dado que Tucídides lhe deu essa forma teatral, o que só valoriza o texto.

Para ler, clique em:

DIÁLOGO MELIANO.pdf (149,6 kB)

»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

Da pobreza de Cincinato e de muitos cidadãos romanos

Nicolau Maquiavel

Cincinato arava a sua pequena propriedade, a qual não ultrapassava as quatro jeiras de terra, quando de Roma vieram os Legados do Senado a comunicar-lhe a eleição da sua ditadura e a mostrar-lhe em que perigo se encontrava a República romana.

Para ler o artigo, clique em

Da pobreza de Cincinato.pdf (152,2 kB)

««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««««

Old soldiers never die...

 

Em 19 de Abril de 1951, durante a Guerra da Coreia, o general Douglas MacArthur proferiu uma mensagem de despedida perante o Congresso dos EUA. Oito dias antes, havia sido demitido pelo presidente Harry Truman, por ter publicamente criticado a recusa do presidente ao seu pedido para o bombardeamento da República Popular da China com armas nucleares. No texto dessa despedida – que constitui uma das mais notáveis peças de oratória militar do século XX –, MacArthur faz uma alargada exposição das suas razões e despede-se com a recordação de uma balada de caserna que proclamava que “os velhos soldados nunca morrem. Apenas se apagam.” [Old soldiers never die... Just fade away]

Para ler, clique em

Old soldiers never die.pdf (70524)

*********************************************************************

PÉRICLES

Leia aqui o celebérrimo Elogio Fúnebre, de Péricles

(Extracto de "História da Guerra do Peloponeso", de Tucídides - Edições Sílabo, Lda)

Elogio fúnebre.pdf (71,3 kB)

*******************************************************************

De como os Romanos faziam a guerra

Nicolau Maquiavel

Para ler o artigo, clicar em

De como os Romanos faziam a guerra.pdf (149236)

*********************************************************************

Conselho do infante D. Pedro sobre a expedição a Tânger (1437)

            Decorridos 22 anos sobre a conquista de Ceuta, a coroa portuguesa volta a interessar-se por nova operação na costa setentrional de Marrocos, manobra justificada por D. Duarte como necessária justamente para fortalecer a posição daquela praça. Tratava-se, agora, de ir sobre Tânger. No Conselho realizado em Leiria, o infante D. Pedro discorda veementemente da operação. Essa discordância foi recordada por Rui de Pina, na sua Crónica de El-Rei D. Duarte, constituindo uma peça essencial no contexto do debate sobre a Expansão Portuguesa.

Para ler o artigo, clicar em

Conselho do infante D Pedro expedição Tânger.pdf (77,3 kB)

***************************************************************

Suerte, mi general

Cuando un general de la inteligencia de Julio Rodríguez decide bajar a la arena política en una formación con limitadas expectativas electorales, lo hace para servir a su país

XOSÉ FORTES BOUZÁN

El País - 10 NOV 2015

Para ler o artigo, clique em

Suerte mi general.pdf (53,7 kB)

--------------------------------------------------------------------------------------

DEFINIÇÃO DE ARTE DA GUERRA

Antoine-Henri Jomini

            A Arte da Guerra, tal como geralmente a concebemos, divide-se em cinco ramos puramente militares; a Estratégia, a Grande Táctica, a Logística, a Arte dos Engenheiros e a Táctica Elementar.

Para continuar a ler, clique em:

Def Arte da Guerra Jomini.pdf (55,5 kB)

------------------------------------------------------------------------------

Elefantes em combate

O emprego de elefantes na guerra era uma ideia indiana. Alexandre tinha-os enfrentado, inesperadamente, na sua última grande batalha, travada à beira do rio Indo, para lá das fronteiras da Pérsia. Como em todas as batalhas, independentemente das surpresas ou das desvantagens, Alexandre saíra vencedor.

Mas ainda que tivesse derrotado os elefantes, estes impressionaram os seus generais. O elefante era o mais parecido que podia encontrar-se no reino animal com um carro de combate moderno. Podiam ser suficientemente domesticados para serem montados e conduzidos por homens, e exerciam um efeito intimidatório sobre quem tinha de os enfrentar pela primeira vez.

Como, em teoria, pareciam uma força capaz de levar tudo de roldão, durante mais de um século foram utilizados nas batalhas. Mas, na prática, demonstraram ser de um valor surpreendentemente escasso. O inconveniente básico consistia em queeram demasiado inteligentes para sacrificar a sua vida inutilmente, no que se diferenciavam de cavalos e homens. Quando o inimigo tinha um aspecto demasiado perigoso para ser atacado, os elefantes retiravam apressadamente e, então, tornavam-se mais perigosos para o seu próprio exército do que para o outro.

Isaac Asimov, La Tierra de Canaán, ALIANZA editorial, S.A., Madrid, 2012, pp. 229-230.

Tradução de David Martelo – Dezembro de 2015

************************************************************

AFINAL HOUVE MESMO GUERRA?

António José Pereira da Costa

Coronel de Artilharia Reformado

 

Passados que estão mais de quarenta anos sobre o fim da uma “guerra” na qual participaram quase um milhão de homens será tempo de uma análise mais ponderada, na qual sejam postos de parte substratos ideológicos e convicções adquiridas, mesmo que o tenham sido no terreno dos três TO, onde se desenrolou. Com este texto pretende-se realizar uma abordagem, de um outro ponto de vista, aos acontecimentos que marcaram, porventura do modo mais decisivo, a vivência no nosso país, durante os anos de 1961 a 1974, vulgarmente designados por Guerra “do Ultramar”, “Colonial” ou “de África”.

Para ler mais clique em

Afinal houve mesmo guerra.pdf (140,4 kB)

»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

A DESTRUIÇÃO DE ESTÁTUAS

 
A propósito das destruições de obras de arte em curso nos territórios dominados pelo designado Estado Islâmico, sugiro a leitura do seguinte texto de Maquiavel, não esquecendo de ler, igualmente, a nota de rodapé:

 

Àqueles filósofos que pretendem que o mundo tenha sido eterno, creio que se poderia replicar que, se tanta antiguidade fosse verdadeira, seria razoável que houvesse memória de mais de cinco mil anos, se não fosse evidente que estas memórias dos tempos por diversas razões se dissipam: umas por causa dos homens, outras vindas do céu. As que têm a ver com os homens são as mutações nas religiões e nas línguas, porque, quando surge uma seita nova, isto é, uma religião nova, a sua primeira preocupação, para ganhar prestígio, é extinguir a velha. E, quando sucede que os fundadores da nova seita sejam de língua diversa, facilmente a apagam. Sabemos isso vendo os modos que adoptou a seita Cristã contra os Gentios, cancelando todas as suas instituições e todas as suas cerimónias, apagando qualquer memória daquela antiga teologia. É verdade que não logrou apagar o registo das coisas feitas pelos excelentes homens dessa época, o que foi possível por se ter mantido a língua latina, o que fez obrigada, tendo com ela de escrever esta nova lei. Porque, se tivessem podido escrever com uma nova língua, considerando as outras perseguições que fizeram, não restaria recordação alguma das coisas do passado. E, quem lê sobre o comportamento de São Gregório[1] e de outros chefes da religião cristã, verá com quanta obstinação perseguiram toda a memória dos antigos, queimando as obras dos poetas e dos historiadores, destruindo imagens e apagando toda e qualquer coisa que constituísse um vestígio do passado. De tal modo que, se a estas perseguições tivessem acrescentado uma nova língua, em brevíssimo tempo se teria consumado o esquecimento de todas as coisas.

NICOLAU MAQUIAVEL, Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio, Livro Segundo, Cap. V.



[1] Papa Gregório I, também conhecido por Gregório Magno. Considerado como um dos Doutores da Igreja, o seu pontificado decorreu entre 590 e 604. Deduz-se que a figura deste papa não fosse simpática a Maquiavel. Esta alusão a São Gregório pode mesmo ser vista como o eco da prédica proferida pelo monge Savonarola, em 9 de Fevereiro de 1494, na qual referiu: «São Paulo mandou queimar tantas coisas e livros... São Gregório mandou despedaçar aquelas belas estátuas de Roma e queimar as Décadas de Tito Lívio. Parece-vos que São Gregório fosse louco?» [Prediche sopra Ezechiele, 1:147], passagem em que, naturalmente, Maquiavel se terá apoiado para discorrer da maneira aqui mencionada.

""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""

SALAZAR

O nosso passado está cheio de beleza, de rasgos, mas tem-nos faltado, no último século, sobretudo, um esforço menos brilhante mas mais tenaz, menos espectaculoso e com maior perspectiva. Tudo quanto seja apelar somente para o heroísmo da raça, sem modificação da mentalidade geral, do nosso modo de ver as coisas, do nosso modo de fazer as coisas, pode trazer-nos momentaneamente páginas de epopeia, mas queima-nos, nessas labaredas contínuas, entregando-nos, depois, a esse fatalismo doentio, de que o Fado é a expressão musical. É essa a razão porque nós somos um povo eternamente saudoso, longe das realidades por termos vivido demasiado, em certos momentos, uma realidade heróica mas falsa... Para fazer, portanto, obra nova, obra reformadora, é necessário, antes de mais nada, renovar o indivíduo, transformá-lo, pô-lo de acordo com o seu próprio ambiente, com a sua própria terra...

A. FERRO, SALAZAR, o homem e a obra, ENP, Lisboa, 1933, pp. 146-147

---------------------------------------------

GOMES DA COSTA

Em Julho [1910], ainda, um dos chefes republicanos, o Dr. José de Castro, apalpa o comandante de Caçadores 2, André Bastos, que promete manter-se neutral! Como é que este coronel se mantém neutral, conservando-se à testa de um Regimento? Alguém percebe esta neutralidade? Evidentemente, manter-se neutral seria demitir-se do comando, e recolher a casa; à frente dum regimento, ninguém se mantém neutral. Ou é fiel a quem lhe deu o comando ou o trai; aqui não há que fugir. Um coronel à frente dum regimento é uma força que actua sempre: se dispara as suas espingardas, conserva-se fiel a quem lhe deu o comando, se conserva as armas em descanso, passou-se para o inimigo.
Mas, esta inadmissível situação de neutralidade era a que convinha à falta de carácter da maioria, que sem coragem nem convicções, procurava, por esta tangente, conservar os benefícios da situação que se criara, sem correr risco algum. Neutral quer dizer: se vencerem os Monárquicos fico bem, se os republicanos, bem fico.
«Neste regimento (Caçadores 2), dizia o coronel, só dois oficiais não são republicanos»; e como só havia dois oficiais não republicanos, ele coronel, conservava-se neutral. Cómodo, não há dúvida.

GOMES DA COSTA, Memórias, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1930, pp. 168-169.

----------------------------------------------------

KAÚLZA DE ARRIAGA

Memorando para M. Caetano, 04Jun73

... o esforço inimigo, em Moçambique ou relacionado com este território acentua-se cada vez mais.
E aquele inimigo tem melhorado e aumentado muito as suas possibilidades, tudo indicando poder continuar a fazê-lo.
É a infiltração constante de elementos inimigos e de muito material.
É a subtileza chinesa que:
a. Por um lado, lhe confere capacidade para, cada vez mais a Sul, aliciar e preparar para a acção violenta massas populacionais sem que disso a nossa polícia se aperceba, em termos de poder actuar ou de conduzir à actuação das Forças Armadas.
b. Por outro lado, lhe confere capacidade para, também cada vez mais a Sul, realizar pequenas acções terroristas mas de grande projecção psicológica, logo seguidas de fuga muito bem preparada e normalmente de diluição nas populações com detecção quase impossível.
É o equipamento russo moderno, como bazookas, canhões sem recuo, RPG rebentando no ar, mísseis terra-terra de 122 mm, metralhadoras anti-aéreas e, brevemente, mísseis terra-ar auto dirigidos, etc., que:
a. Por um lado, lhe confere em relação a nós superioridade no combate terrestre.
b. Por outro, lhe permitirá, dentro de pouco tempo, criar dificuldades aos nossos meios aéreos.
É a possibilidade do inimigo vir a empregar tropas regulares, lanchas equipadas com mísseis e torpedos e mesmo aviões.
E é a tremenda propaganda e acção psicológica desenvolvida por todos os nossos adversários. (...)
Deficientíssima instrução e mentalização da grande maioria das tropas. Tal tem dado lugar a muitas baixas perfeitamente evitáveis e a reduzido rendimento operacional.

KAÚLZA DE ARRIAGA, Guerra e Política, pp. 183-185.

----------------------------------------------------

ALGUMAS PÁGINAS DEPOIS...
                            ➘
                                  ➘
Isto é, apesar de tudo, Portugal, como se considerou, encontrava-se, no começo do 2.º semestre de 1973, após mais de 12 anos de guerra, em situação próxima do sucesso final nas suas duas maiores Províncias Africanas.

KAÚLZA DE ARRIAGA, Guerra e Política, p. 266

_____________________________________________________________

Contactos

A BIGORNA
Granja - V. N. Gaia

© 2015 Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por Webnode